
Ansiedade e depressão não são a mesma coisa, embora possam apresentar alguns sintomas semelhantes e também possam acontecer ao mesmo tempo.
A ansiedade costuma estar relacionada à apreensão diante de uma ameaça, de uma incerteza ou de algo que a pessoa imagina que possa acontecer. Pode aparecer como preocupação intensa, inquietação, medo, tensão e estado de alerta. Muitas vezes, a atenção fica voltada para o futuro e para aquilo que poderia dar errado.
Na depressão, podem predominar tristeza persistente, perda de interesse ou prazer pelas atividades, falta de energia, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração e sentimentos de culpa, desvalorização ou desesperança. A experiência, porém, varia bastante de uma pessoa para outra.
As duas condições podem se misturar. Uma pessoa pode estar muito preocupada e, ao mesmo tempo, sentir-se sem energia, desanimada ou sem interesse pelas coisas que antes faziam sentido. Também pode acontecer de um período prolongado de ansiedade produzir tanto desgaste que a pessoa passe a se sentir exausta e desanimada.
Por isso, às vezes não é fácil para quem está vivendo a situação saber exatamente o que está acontecendo. A pergunta “é ansiedade ou depressão?” pode não ter uma resposta simples.
Também existem sintomas que podem aparecer nas duas, como alterações do sono, dificuldade de concentração, cansaço e mudanças no apetite. Por essa razão, não é possível identificar um transtorno apenas pela presença de alguns sintomas.
O diagnóstico depende de uma avaliação profissional que considere o conjunto da experiência, sua duração, intensidade, contexto e os efeitos que ela produz na vida da pessoa.
Quando ansiedade e depressão aparecem juntas, o cuidado também precisa levar em conta as duas dimensões do sofrimento. O tratamento pode envolver psicoterapia e, quando indicado, acompanhamento médico ou psiquiátrico.
Na psicoterapia, não se trata apenas de descobrir qual nome corresponde aos sintomas. Existe também a possibilidade de falar sobre aquilo que está sendo vivido e compreender como esse sofrimento se relaciona com a história da pessoa.
Na psicanálise, ansiedade e depressão não são compreendidas apenas como conjuntos de sintomas a serem classificados. A escuta procura considerar a singularidade de cada pessoa e aquilo que seu sofrimento pode estar expressando.
Isso não significa deixar de reconhecer a importância de uma avaliação clínica. Pelo contrário. Nomear uma condição quando isso é necessário pode possibilitar o cuidado adequado. Mas o diagnóstico não esgota a experiência de quem sofre.
Ansiedade e depressão podem ter manifestações diferentes, podem se encontrar e podem exigir cuidados diferentes. Compreender o que está acontecendo é um primeiro passo para procurar o cuidado mais adequado.
Fonte
Organização Mundial da Saúde. World Mental Health Report: Transforming Mental Health for All (2022).
Fonte complementar
Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças.
Talvez você também queira ler:
→Por que sinto ansiedade mesmo quando está tudo bem?
