
Quando o estresse se prolonga, é comum surgir a vontade de encontrar alguma coisa que faça a tensão diminuir rapidamente. Às vezes, a pergunta aparece justamente quando já estamos cansados demais: o que posso fazer para conseguir desacelerar?
Algumas mudanças concretas podem ajudar. Reduzir excessos, organizar melhor as responsabilidades, respeitar períodos de descanso, cuidar do sono e reconhecer situações que estão exigindo mais do que podemos oferecer são medidas que podem favorecer a recuperação do organismo. Quando o estresse é intenso ou persistente, também pode ser necessário procurar avaliação médica ou psicológica.
Mas existe uma outra questão que pode ser importante quando pensamos em diminuir o estresse: o que torna tão difícil diminuir o ritmo?
Para algumas pessoas, o problema não está apenas na quantidade de coisas que precisam ser feitas. Existe uma exigência interna que continua funcionando mesmo quando as circunstâncias permitem parar. O trabalho terminou, as tarefas foram resolvidas, não há nenhuma urgência naquele momento, mas ainda assim aparece a sensação de que seria preciso fazer alguma outra coisa.
Freud mostrou como a vida psíquica é atravessada por exigências, conflitos e desejos que nem sempre caminham na mesma direção. Podemos saber que estamos cansados e, ao mesmo tempo, sentir que descansar é quase uma transgressão. A pessoa reconhece o próprio limite, mas alguma coisa dentro dela continua dizendo que ainda não é suficiente.
Nessas situações, diminuir o estresse não depende somente de encontrar uma maneira de relaxar. Pode ser necessário compreender o que está sustentando essa exigência.
O que aconteceria se eu não desse conta de tudo?
O que eu imagino que os outros esperariam de mim se eu dissesse que não posso?
Por que parar parece mais difícil do que continuar?
Essas perguntas não significam que toda sobrecarga tenha uma origem psicológica. Existem períodos em que as circunstâncias são realmente excessivas e pouco pode ser feito para modificá-las imediatamente. Trabalho, problemas financeiros, responsabilidades familiares, doenças, mudanças e perdas podem exigir muito de uma pessoa. Reconhecer isso também faz parte de compreender o estresse.
Winnicott, ao falar sobre a necessidade de adaptação ao ambiente, chama atenção para algo que interessa particularmente aqui: viver exige certa capacidade de adaptação, mas uma vida sustentada apenas pela adaptação pode afastar a pessoa daquilo que é próprio, espontâneo e necessário para ela. Quando a adaptação se torna permanente, até o descanso pode parecer estranho.
Por isso, às vezes, a tentativa de diminuir o estresse encontra uma dificuldade inesperada. A pessoa consegue diminuir algumas atividades, mas não consegue realmente se retirar da posição de quem precisa estar sempre disponível, resolvendo, antecipando ou cuidando.
Talvez a pergunta deixe então de ser apenas “como diminuir o estresse?” e passe a incluir outra: “o que me impede de parar quando eu já sei que preciso parar?”
Compreender essa dificuldade pode abrir uma possibilidade diferente. Não se trata de aprender a suportar mais, nem de encontrar uma forma de funcionar melhor sob pressão. Trata-se de perceber o que está sendo exigido, de onde vem essa exigência e o lugar que o descanso, o limite e o próprio desejo ocupam nessa relação.
Fontes
Ministério da Saúde. Informações sobre estresse e saúde mental.
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Informações sobre estresse.
Freud, Sigmund. O mal-estar na civilização.
Winnicott, D. W. O ambiente e os processos de maturação.
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