Como saber se estou estressado?

Como saber se estou estressado?

Às vezes, a pessoa só percebe que está estressada quando já está muito cansada. Antes disso, pode ter passado semanas ou meses dizendo a si mesma que é apenas uma fase, que logo vai passar, que ainda precisa terminar algumas coisas.

Ela continua fazendo o que precisa fazer. Trabalha, cuida da casa, atende às necessidades dos outros, resolve problemas. Talvez até diga que está tudo bem. Mas começa a dormir pior, fica mais irritada, sente o corpo constantemente tenso ou percebe que não consegue mais se concentrar como antes.

Como saber, então, se isso é estresse?

Clinicamente, o estresse pode aparecer por meio de cansaço, alterações do sono, tensão muscular, dores de cabeça, irritabilidade, dificuldade de concentração, inquietação, alterações gastrointestinais e outros sintomas físicos e emocionais. Esses sinais, porém, não são exclusivos do estresse e podem estar presentes em diferentes condições.

Por isso, quando os sintomas são frequentes, intensos ou persistentes, uma avaliação médica pode ser importante. Cansaço, insônia, palpitações, dores e alterações de concentração, por exemplo, podem ter causas diversas e não devem ser automaticamente atribuídos ao estresse.

Mas existe uma outra maneira de escutar essa pergunta.

Em vez de procurar apenas uma lista de sintomas, podemos perguntar: quando comecei a exigir tanto de mim?

A psicanálise nos permite pensar que nem toda exigência vem de fora. Existem situações em que temos, de fato, coisas demais para resolver. Em outras, porém, mesmo quando a demanda externa diminui, continuamos nos cobrando como se ainda fosse necessário permanecer em alerta.

Freud mostrou que a vida psíquica é atravessada por conflitos e exigências que nem sempre reconhecemos claramente. Podemos querer descansar e, ao mesmo tempo, sentir que não temos esse direito. Podemos estar exaustos e ainda pensar que deveríamos estar fazendo mais.

É possível que alguém diga:

“Eu sei que estou cansado, mas não consigo parar.”

Essa frase pode conter uma contradição importante. Se o corpo pede descanso e a pessoa continua, talvez seja necessário perguntar o que significa, para ela, parar.

Parar pode significar simplesmente descansar. Mas também pode significar deixar de ser necessário, deixar de controlar, correr o risco de decepcionar alguém ou ficar diante de si mesma sem a proteção das tarefas.

Por isso, às vezes, o estresse não aparece apenas como excesso de trabalho. Ele aparece como dificuldade de sair de uma posição de exigência.

Winnicott ajuda a pensar essa questão quando diferencia a adaptação às necessidades do ambiente da possibilidade de experimentar algo como próprio e espontâneo. Uma pessoa pode tornar-se muito competente em responder ao que esperam dela e, justamente por isso, perder um pouco o contato com aquilo que deseja ou necessita.

Talvez ela saiba perfeitamente o que os outros precisam. O que precisa ser feito. O que não pode esperar.

Mas não saiba responder a uma pergunta aparentemente simples:

O que eu preciso agora?

Essa dificuldade pode fazer com que o limite seja percebido apenas quando já foi ultrapassado. O corpo então se torna, muitas vezes, o lugar onde aquilo que não foi reconhecido de outra maneira começa a aparecer.

Isso não significa que todo sintoma físico tenha um significado psicológico escondido. O corpo reage concretamente ao estresse e precisa ser cuidado. Também não significa que a pessoa esteja criando a própria sobrecarga. Existem circunstâncias objetivamente difíceis, e reconhecê-las é parte importante da compreensão.

A questão psicanalítica é outra: como cada pessoa se coloca diante daquilo que a realidade exige?

Há quem tenha muita dificuldade de dizer não. Há quem sinta culpa quando descansa. Há quem precise antecipar tudo para sentir alguma segurança. Há quem só consiga reconhecer que chegou ao limite quando o corpo já não acompanha mais.

Nessas situações, saber que está estressado não significa apenas identificar sintomas. Pode significar começar a reconhecer algo que talvez tenha sido difícil perceber antes: eu não estou conseguindo sustentar tudo isso da maneira como vinha sustentando.

Essa constatação não precisa ser vivida como fracasso. Pode ser justamente o começo de uma pergunta diferente sobre o próprio modo de viver.

O que eu venho exigindo de mim?
O que acredito que aconteceria se eu diminuísse o ritmo?
Por que preciso continuar mesmo quando já estou cansado?
De quem estou tentando dar conta?
E o que acontece comigo quando não estou dando conta de ninguém?

A avaliação médica ajuda a investigar o que os sintomas podem estar indicando no corpo. A escuta psicológica pode abrir outro campo de investigação: o lugar que a exigência, o descanso, o limite e o desejo ocupam na história daquela pessoa.

Talvez saber se estamos estressados seja, em parte, aprender a perceber o momento em que deixamos de simplesmente responder às circunstâncias e começamos a viver permanentemente submetidos a elas.

Fontes

Ministério da Saúde. Informações sobre estresse e saúde mental.

Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Estresse.

Freud, S. O mal-estar na civilização.

Winnicott, D. W. O ambiente e os processos de maturação.


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