
Uma crise de ansiedade pode ser uma experiência muito intensa. A sensação pode começar de maneira repentina ou ir aumentando aos poucos, até ocupar quase toda a atenção da pessoa.
O corpo pode reagir como se estivesse diante de um perigo. O coração acelera, a respiração pode ficar mais rápida, os músculos se contraem, pode haver tremor, suor, tontura, enjoo ou uma sensação de fraqueza. Algumas pessoas sentem aperto no peito ou dificuldade para respirar.
Ao mesmo tempo, os pensamentos podem se acelerar. Pode surgir uma preocupação intensa, uma sensação de que alguma coisa ruim está prestes a acontecer ou uma dificuldade de pensar em qualquer outra coisa naquele momento.
Uma das características mais difíceis de uma crise é que a sensação física pode ser tão forte que a pessoa passa a temer o próprio corpo. O coração acelera e ela teme que exista algo errado com o coração. Sente falta de ar e pensa que não vai conseguir respirar. Fica tonta e teme desmaiar.
Esse medo pode aumentar ainda mais a ansiedade, criando um ciclo em que as sensações do corpo e a apreensão se alimentam mutuamente.
Durante uma crise, também pode haver sensação de estranhamento, como se a pessoa estivesse distante de si mesma ou do ambiente ao redor. Algumas pessoas descrevem a impressão de que estão perdendo o controle.
Uma crise de ansiedade não acontece necessariamente da mesma maneira para todas as pessoas. Pode haver um motivo claramente reconhecido, como uma situação de grande tensão, ou a crise pode parecer surgir sem uma causa evidente.
Também é importante diferenciar uma crise de ansiedade de um ataque de pânico. Os termos são muitas vezes utilizados como se fossem sinônimos, mas não são exatamente a mesma coisa. O transtorno de pânico é uma condição específica, caracterizada pela ocorrência recorrente de ataques de pânico inesperados e pela preocupação ou mudanças de comportamento relacionadas a eles. Uma avaliação profissional é necessária para fazer essa distinção.
Uma crise intensa também pode produzir sintomas físicos semelhantes aos de outros problemas de saúde. Por isso, especialmente quando os sintomas são novos, muito intensos ou diferentes do que a pessoa já experimentou, não é seguro presumir que tudo seja ansiedade. Dor no peito, falta de ar importante, desmaio ou outros sintomas físicos preocupantes precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
Depois que a crise passa, é comum permanecer algum cansaço. O corpo esteve durante algum tempo em um estado de grande ativação, e a pessoa pode precisar de um período para recuperar-se.
Quando essas crises começam a se repetir, é importante olhar para além do momento em que elas acontecem. O que estava acontecendo antes? O que a pessoa temia? Havia alguma situação que vinha sendo evitada? Como ela passou a se relacionar com as próprias sensações depois da primeira crise?
Essas perguntas podem ajudar a compreender uma experiência que, durante a crise, pode parecer apenas física e inexplicável.
A psicoterapia pode contribuir para essa compreensão. Na psicanálise, a ansiedade também pode ser escutada em relação à história e às experiências de cada pessoa, procurando compreender aquilo que talvez ainda não possa ser colocado em palavras.
Fonte
Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças.
Fonte complementar
Organização Mundial da Saúde. World Mental Health Report: Transforming Mental Health for All (2022).
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