
O medo de perder o controle pode aparecer de muitas maneiras. Algumas pessoas temem não conseguir controlar uma reação do próprio corpo. Outras têm medo de dizer ou fazer algo inadequado, de chorar diante de alguém, de demonstrar raiva ou de não conseguir se comportar como esperavam de si mesmas.
Em algumas situações, esse medo aparece junto com a ansiedade. A pessoa percebe uma aceleração do coração, uma sensação estranha no corpo ou uma inquietação e imediatamente pensa que poderá acontecer alguma coisa que não conseguirá controlar.
O próprio medo pode aumentar a tensão. Quanto mais atenção damos ao que está acontecendo dentro de nós, mais intensamente algumas sensações podem ser percebidas. E então surge uma nova preocupação: “E se eu não conseguir me controlar?”
É importante lembrar que sentir uma emoção intensa não significa necessariamente perder o controle. Chorar, sentir raiva, ficar assustado ou experimentar uma forte ansiedade são experiências humanas. O que fazemos com aquilo que sentimos é outra questão.
Às vezes, porém, o medo de perder o controle não diz respeito somente ao que está acontecendo naquele momento. Pode existir uma história por trás dele. Talvez tenha sido importante, em algum período da vida, manter determinadas emoções sob controle. Talvez demonstrar fragilidade tenha parecido perigoso. Talvez certas reações tenham sido recebidas com reprovação ou tenham provocado consequências difíceis.
Também podemos perceber esse medo em pessoas que se cobram muito para manter tudo em ordem. Precisam organizar, prever, cuidar, responder, dar conta. Quando alguma coisa escapa ao que havia sido planejado, a sensação de segurança pode desaparecer rapidamente.
Nesse caso, a questão não é simplesmente aprender a controlar melhor aquilo que sentimos. Pode ser importante compreender por que o descontrole é vivido como uma ameaça tão grande.
Na psicanálise, a experiência de não saber exatamente o que vamos sentir, desejar ou fazer também pode ser escutada. Nem tudo aquilo que acontece dentro de nós está sob nosso domínio consciente. Isso não significa que estejamos condenados a agir de qualquer maneira, mas que nossa vida psíquica não é inteiramente previsível para nós mesmos.
Talvez por isso o medo de perder o controle possa esconder outra pergunta: o que eu temo que aconteça se eu deixar de conseguir controlar tudo?
A resposta pode ser diferente para cada pessoa. E é justamente essa diferença que merece ser escutada.
Fonte
Freud, Sigmund. Inibição, sintoma e ansiedade (1926).
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