A ansiedade não acontece apenas nos pensamentos. Ela também pode ser sentida no corpo.

Quando percebemos uma situação como ameaçadora, o organismo entra em estado de alerta. Isso faz parte de uma resposta natural diante do perigo. O corpo se prepara para reagir e, nesse processo, podem acontecer mudanças nos batimentos cardíacos, na respiração, na tensão muscular e em outras funções do organismo.
É por isso que, quando estamos ansiosos, podemos sentir o coração acelerar, respirar de maneira diferente, suar mais, tremer, ficar com os músculos tensos ou sentir desconfortos no estômago. Também podem aparecer tontura, formigamento e sensação de calor ou frio.
Essas reações não significam que a ansiedade seja “apenas psicológica”. O que sentimos emocionalmente e o que acontece no corpo estão profundamente relacionados.
Em momentos de ansiedade intensa, porém, as próprias sensações físicas podem se transformar em motivo de preocupação. O coração acelera e a pessoa se assusta. O medo aumenta a atenção sobre o coração, e a própria apreensão pode intensificar a sensação. Algo semelhante pode acontecer com a respiração, a tontura ou outras manifestações corporais.
Pode se formar, então, um círculo difícil de interromper: a ansiedade provoca uma sensação física, a sensação é interpretada como sinal de perigo, o medo aumenta e o corpo permanece em alerta.
Isso ajuda a entender por que algumas pessoas passam a observar constantemente o próprio corpo depois de uma crise de ansiedade ou de pânico. Qualquer alteração pode ser interpretada como sinal de que uma nova crise está começando.
É importante, entretanto, não atribuir automaticamente qualquer sintoma físico à ansiedade. Palpitações, falta de ar, dor no peito, tontura e outros sintomas podem ter diferentes causas. Quando uma manifestação é nova, intensa, persistente ou preocupante, uma avaliação médica pode ser necessária.
Compreender a relação entre corpo e ansiedade pode diminuir parte do estranhamento diante dessas sensações. Mas compreender não significa simplesmente aprender a ignorá-las.
Na psicoterapia, é possível falar sobre aquilo que o corpo está expressando e sobre a maneira como a pessoa passou a se relacionar com suas próprias sensações.
A psicanálise acrescenta outra possibilidade de escuta. O corpo também participa da experiência psíquica e, em determinados momentos, pode aparecer onde ainda não conseguimos colocar uma experiência em palavras. Isso não significa que todo sintoma físico tenha uma origem emocional. Significa considerar que o sofrimento humano não se divide de maneira tão simples entre corpo e mente.
Por isso, quando a ansiedade se manifesta fisicamente, pode ser importante cuidar das duas dimensões: investigar o que acontece no corpo quando houver necessidade e, ao mesmo tempo, procurar compreender o que está acontecendo com a pessoa que sente esse corpo.
Fonte
Organização Mundial da Saúde. World Mental Health Report: Transforming Mental Health for All (2022).
Fonte complementar
Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças.
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