
Há pessoas que sentem grande dificuldade diante de situações sobre as quais não podem ter certeza. Antes de tomar uma decisão, precisam pensar muitas vezes. Antes de uma conversa, imaginam o que poderá ser dito. Quando aguardam uma resposta, procuram sinais que indiquem o que vai acontecer.
Às vezes, procuram informações, perguntam novamente, revisam o que fizeram ou tentam antecipar todas as possibilidades. Por alguns momentos, isso pode trazer uma sensação de segurança. Logo depois, porém, surge uma nova dúvida.
A necessidade de ter certeza pode estar muito próxima da ansiedade. Quando não sabemos o que vai acontecer, a imaginação tenta preencher esse espaço. E, quanto mais tentamos eliminar todas as possibilidades de algo dar errado, mais possibilidades parecem surgir.
Existe uma diferença entre desejar que algo dê certo e sentir que precisamos ter garantias antes de conseguir seguir adiante. A primeira experiência faz parte da vida. A segunda pode tornar a incerteza especialmente difícil de suportar.
Isso pode aparecer em situações muito diferentes. Na vida profissional, nas relações amorosas, nas decisões familiares, diante de mudanças ou até em acontecimentos cotidianos. A pergunta pode assumir formas diferentes, mas muitas vezes existe algo em comum: “Como vou saber que estou fazendo a coisa certa?”
Nem sempre essa necessidade de certeza está relacionada apenas ao acontecimento presente. Uma decisão atual pode tocar experiências anteriores, perdas, decepções ou situações nas quais confiar no que aconteceria depois foi difícil.
Por isso, procurar garantias nem sempre resolve a inquietação. Podemos receber uma resposta tranquilizadora e, pouco tempo depois, encontrar outra coisa para questionar. A questão pode não estar somente na resposta que falta, mas na dificuldade de permanecer diante de uma pergunta que ainda não tem resposta.
A psicanálise considera que nossa relação com a incerteza também faz parte da nossa história. Aquilo que esperamos, tememos e tentamos controlar pode dizer algo sobre o lugar que ocupamos diante dos outros e diante das próprias escolhas.
Há situações em que precisamos, de fato, nos informar melhor ou tomar precauções. Mas existe também um ponto em que nenhuma quantidade de informação consegue oferecer a garantia que estamos procurando.
Talvez seja justamente aí que valha a pena perguntar: o que eu imagino que aconteceria se eu não pudesse ter certeza?
Essa pergunta pode levar a outras. O que torna tão difícil esperar? O que está em jogo quando não sabemos? E o que esperamos evitar quando tentamos antecipar tudo?
Compreender essas questões pode ser mais importante do que encontrar uma certeza definitiva.
Fonte
Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças.
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