
Algumas decisões parecem simples para quem está de fora, mas podem se tornar muito difíceis para quem precisa tomá-las. Escolher um trabalho, terminar ou começar uma relação, mudar de cidade, aceitar uma oportunidade ou simplesmente decidir entre duas possibilidades pode provocar uma ansiedade intensa.
Às vezes, a dificuldade começa antes mesmo de sabermos exatamente o que queremos. Pensamos nas consequências, imaginamos o que poderá acontecer e nos perguntamos se estamos fazendo a escolha certa.
Quando uma decisão envolve algo importante, é natural considerar suas consequências. O sofrimento pode aparecer quando sentimos que precisamos ter absoluta certeza antes de escolher.
Toda escolha implica alguma renúncia. Ao escolher uma possibilidade, deixamos outras de lado. E nem sempre conseguimos saber antecipadamente o que cada caminho produzirá.
Para algumas pessoas, essa dimensão da escolha é especialmente difícil. Existe o desejo de encontrar uma decisão que garanta que nada será perdido, que ninguém ficará decepcionado e que o futuro será exatamente como imaginamos.
Nessas situações, a ansiedade pode aparecer não apenas diante da decisão, mas diante daquilo que ela representa. Escolher pode significar assumir uma posição, contrariar alguém, abandonar uma expectativa ou reconhecer que uma determinada possibilidade já não faz sentido.
Também pode acontecer de a pessoa pedir opiniões sucessivamente. Conversa com amigos, familiares, profissionais, procura informações e tenta encontrar alguém que possa confirmar qual seria a escolha correta. Ainda assim, a dúvida permanece.
Isso acontece porque algumas decisões não têm uma resposta que possa ser encontrada fora de nós. Há momentos em que precisamos escutar o que queremos, reconhecer nossos limites e assumir que não existe garantia sobre o que virá depois.
A psicanálise pode oferecer um espaço para investigar o que está em jogo naquela escolha. O que torna essa decisão tão difícil? O que se teme perder? Para quem essa escolha precisa fazer sentido? E quanto daquilo que desejamos realmente nos pertence?
Nem sempre a ansiedade diante de uma decisão significa que não sabemos o que queremos. Às vezes, sabemos, mas encontramos dificuldades para sustentar aquilo que queremos diante das consequências que imaginamos.
Talvez a pergunta não seja apenas “qual é a decisão certa?”, mas também: o que torna tão difícil escolher?
Fonte
Freud, Sigmund. Inibição, sintoma e ansiedade (1926).
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